Cosmovisão - Aula 6 - Chave Espistemológica da Cosmovisão Cristã
EBD – Sala de Jovens – Maio 2018
“Aula 6 – A Chave Epistemológica da Cosmovisão Cristã”
Introdução
Temos insistido em afirmar que todas as pessoas vivem a partir de determinados pressupostos, o que lhes dirige e faz conferir valor à realidade ao redor. Estes pressupostos, constroem a sua cosmovisão e isto afeta todo o modo como vivem se compreendem e se relacionam com tudo o mais.
Estas construções cosmovisionais podem ser verdadeiras, mais ou menos verdadeiras ou completamente falsas. Portanto, precisam ser avaliadas e investigadas e este é o trabalho que estamos propondo em nosso curso, isto é, que considere as diversas cosmovisões que lhe são apresentadas e faça um julgamento das mesmas, especialmente daquela que lhe foi dada e em você incutida como paradigma pessoal de vida.
O objetivo final é um processo de lapidação e reestruturação mais consciente da sua própria cosmovisão. Afinal, apesar de sermos cristãos e considerarmos idealmente que a cosmovisão cristã bíblica é uma correta percepção da realidade, precisamos fazer um exercício importante que empreende avaliar e lapidar nossa própria cosmovisão. Assim daremos consciência e consistência em nosso modo de viver.
Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição. Oh! Quando virás ter comigo? Portas à dentro, em minha casa, terei coração sincero (Salmo 101.2).
A Necessidade de Uma Chave Epistemológica
Antes de adentrar este tópica, vamos falar um pouco sobre o que é “Epistemologia”. Em palavras simples, a epistemologia é a ciência que articula à respeito do conhecimento, estudando o ferramental, a metodologia, o fenômeno em si e todas as formas como adquirimos conhecimento. Aquele valor básico que norteia o modo como você avalia o que é a realidade é a sua chave epistemológica.
Os empiristas, acreditam que o conhecimento de algo só pode ser realmente adquirido pela experimentação; os céticos, duvidam de tudo e somente o exercício da dúvida científica e a reconstrução racional dos argumentos e valores podem dar um conhecimento verdadeiro das coisas; os marxistas assumem a chave epistemológica da luta de classes para a sua compreensão de todas as realidades; os hedonistas, acreditam que devem descobrir em tudo o que há de prazeroso para saber o sentido e significado de tudo.
A chave epistemológica, portanto, é aquele recurso fundamental norteador de sua construção de conhecimento e, naturalmente, o método funcional primordial sobre como você avalia sua realidade. A chave epistemológica da cosmovisão cristã bíblica é a Escritura.
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor e na sua lei medita de dia e de noite (Salmo 1.1-2).
O estabelecimento de uma chave epistemológica é central portanto para como você ordenará a construção consciente de sua cosmovisão. Mas, o estabelecimento de uma chave epistemológica deve ser justificada para que sua cosmovisão seja construída, no mínimo de condição de verdade.
O Problema da Validação da Chave Epistemológica
NO que diz respeito à existência e realidade das coisas, temos ao menos duas posições básicas. A primeira é o ateísmo, que pressupõe que não existe nenhum Deus; a segunda é o teísmo, que admite a existência de algum Deus ou deuses.
O ateísmo justifica sua posição, admitindo o pressuposto de que Deus não existe e tem como chave epistemológica para esta afirmação a não materialidade de Deus, propondo a existência de um mundo natural tão somente, sem nenhuma outra realidade transcendente. Portanto, a realidade ateísta é essencialmente materialista e naturalista, esta é a sua chave epistemológica.
O teísmo, por sua vez, justifica sua posição admitindo o pressuposto de que existe um Deus. Devemos dizer que não existe um só tipo de teísmo, mas muitos teísmos. De qualquer forma, eles partem do pressuposto de que existe uma realidade transcendente, divina que origina, dá forma e explica a realidade. Portanto, no teísmo, dito grosso modo, a chave epistemológica é realidade transcendental de Deus.
O problema da ideia de pressupostos é que eles requerem um elemento de validação e em última análise, este elemento é uma questão de crença. Num certo sentido, nem o ateísmo, nem o teísmo, conseguem um elemento evidente para validação final do seu pressuposto, mas ambos necessitam do estabelecimento de uma crença original.
Como os Cristãos Bíblicos Validam a sua Chave Epistemológica?
Quero fazer uma distinção entre “Cristianismo” e “Cristianismo Bíblico”. Talvez seja um exagero, mas não é impróprio dizer que o cristianismo é uma crença fundamentada nos ensinos sobre Cristo Jesus e o seu papel geral como Salvador do Mundo. Contudo, existem muitos tipos de cristianismo, que são construídos a partir de chaves epistemológicas diferentes.
Temos o cristianismo cultural, que tem apenas como referencial o mundo Ocidental e a civilização cristã, como esta foi construída ao longo dos tempos, por meio dos seus valores morais especialmente.
Podemos dizer que existem os cristianismos religiosos, construídos com valores advindos das grandes igrejas cristãs, protestantes, católicos romanos, ortodoxos e outros, que muitas vezes, estão fundamentos nas suas tradições religiosas e divergem em tantas coisas, embora também convirjam em outras.
O cristianismo bíblico que estamos insistindo em apresentar nesta aula, é uma construção de uma cosmovisão construída biblicamente, mesmo que haja um forte conteúdo religioso, ele não é fundamentado numa tradição religiosa qualquer, mas no considerar do ensino das Escrituras. Portanto, a tradição religiosa, dentro do cristianismo bíblico, tem o lugar de resultado e não de ponto de partida.
Para validar sua chave epistemológica, os cristãos bíblicos possuem alguns argumentos fundamentais:
A origem divina das Escrituras
Para argumentar sobre a origem divina das Escrituras, os teístas cristãos bíblicos pressupõem a existência de um Deus não criado, Criador de todas coisas, preexistente, eterno. Portanto, antes de qualquer coisa, teístas cristãos bíblicos crêem pressuposicionalmente na existência de uma realidade transcendente sobreposta à realidade natural.
Este Deus preexistente, criador de todas as coisas, para se tornar conhecido, admitem os teístas cristãos bíblicos decidiu revelar-se sobrenaturalmente e o fez por meio das Escrituras, que por este motivo são chamadas de Sagradas Escrituras.
Este processo de revelação especial foi escrito, por meio de inspiração, isto é, o uso de meios humanos, conduzidos pela vontade divina transcendente sobreposta a estes meios.
Sabendo, primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo (2Pe 1.20-21).
A validação desta afirmação pressuposicional foi construída ao longo de tempos de algumas formas pelos cristãos bíblicos. Eles admitiram realidade espiritual das Escrituras pela sua concatenação e integridade de ideias, mesmo tendo sido escritas por pessoas diferentes, muitas delas sem contato pessoal umas com as outras, promovendo um conteúdo complementar não excludente de forma impressionante. Isso deve sim ser levado em consideração para tratar da questão de que existe uma mente organizadora transcendente na construção do texto bíblico.
Esta é a ideia defendida por Pedro neste texto acima. Ou seja, ele diz, que os homens que falaram não tiveram uma percepção pessoal da realidade, mas foram conduzidos pela mente divina para compreender a realidade e a registrar.
O Escritor aos Hebreus, assim como os Evangelistas e alguns profetas relatam, prefere validar essa sobrenaturalidade das Escrituras com o fato de que intervenções não naturais, por meio de sinais e milagres extraordinários, atestam a realidade divina das Escrituras (Hb 2.1-4).
Estes argumentos instrínsecos da Escritura sobre ela mesma, mostram como sua origem divina é validada para os cristãos bíblicos.
A verdade das Escrituras
Um outro argumento fundamental dos cristãos bíblicos para a validação da sua chave epistemológica é a construção do seu entendimento sobre a Escritura como sendo a Palavra da Verdade.
Desde muito cedo, os cristãos assumiram este padrão de defesa da Escritura (Sl 119.151; 2Co 6.6-7; Jo 17.17; Ef 1.13; Co 1.5).
Procura apresentar-te a Deus como obreiro aprovado, que não tem do que se envergonhar e que maneja bem a palavra da verdade (2 Tm 2.15).
A validação da palavra como a verdade é construída de algumas formas, por exemplo, pelo cumprimento estrito das profecias, que revelam que homens disseram coisas, antes de acontecerem e que vieram a acontecer com exatidão, atestando que foram realmente conduzidos à Palavra da Verdade.
O outro lado de como a Palavra da Verdade é atestada é a sua avaliação precisa e comprovada da própria realidade. O que a Escritura fala, mesmo na palavra de homens simples como os boiadeiros, pastores de ovelhas, simples pescadores, tanto quanto em letrados como Salomão, Paulo, Daniel etc, são princípios elementares completamente aplicáveis e coerentes com a realidade, podendo ser aplicados de forma bastante realista e perceptível.
O Propósito das Escrituras
Por fim, a validação da chave epistemológica das Escrituras é validada na consciência do cristão bíblico pelo elevado propósito a que se destina de oferecer um conhecimento amplo e completo da realidade.
De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando- segundo a tua palavra (Sl 119.8).
Este propósito existêncial revelado nas Escrituras conduzem a alma humana a uma plenitude existencial que traz a mais completa serenidade e realização. Existe um potencial regulador nas Sagradas Escrituras que carrega a existência humana a uma condição shalômica inigualável.
Conclusão
A chave epistemológica do cristianismo bíblico é a Escritura, ela é a interprete da realidade e guia a nossa mente em nossas pressuposicionais e na construção do entendimento da realidade.
Esta construção é validada pela origem divina da Escritura atestada pela sua completa concatenação e complentaridade inequívoca de valores, assim como o é pela sua verdade, atestada na história e na vida prática; assim como na construção de uma paz duradoura para a alma humana.
Assim, diferentemente de outros sistemas cosmovisionais, o cristianismo bíblico, é testado historicamente e produz efeitos duradouros benéficos e completamente verdadeiros. Evidentemente, esta chave espistemológica é assumida por um ato de crença absoluta original, assim como o são as demais chaves epistemológicas que tentam se validar por outros mecanismos.
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